Estudo revela que 60% a 70% da madeira tropical produzida no Brasil tem algum grau de ilegalidade ou irregularidade

60% a 70% da madeira tropical produzida no Brasil tem algum grau de ilegalidade ou irregularidade. Mas é possível reverter a dinâmica, melhorando o mercado, e colocar o Brasil em posição de destaque no cenário mundial. Com dados disponíveis é possível identificar de maneira eficiente os principais focos de problemas.

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Foto: Estudo do iBVRio / Reprodução

Mais de 40% dos manejos florestais do Pará e Mato Grosso sinalizam ter irregularidades graves. A madeira comercializada pode ter sido roubada de terras indígenas e unidades de conservação ou ter origem em fraudes de documentos oficiais. Esses dados aparecem em um estudo publicado em 2016 pelo Instituto BVRio (iBVRio) sobre o setor, com contribuições de membros do Stockholm Environmental Institute, do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), do World Wildlife Fund (WWF) Brasil e a International Union for Conservation of Nature (IUCN), entre outros.

Entre os resultados do estudo, demonstrou-se que apenas 32% dos planos de manejo nos estados do Pará e Mato Grosso não apresentam indícios de irregularidades ou ilegalidades, e mais de 33% dos manejos apresentam envolvimento comprovado ou alto risco de envolvimento com irregularidades severas.

Assim, algo entre 60% a 70% da madeira tropical produzida no Brasil tem algum grau de ilegalidade ou irregularidade. Trata-se de um volume gigante e que, cada vez mais, inibe o comprador estrangeiro.

Somente 10% dos 4.000 planos de manejo analisados desde 2007, nos dois Estados, não tinham sinal de problemas, segundo o relatório “O uso de bigdata para detecção de ilegalidades no setor de madeira tropical”.

No estudo, o iBVRio, ONG ligada à Bolsa de Valores Ambientais BVRio (que procura estimular fluxos de recursos privados em iniciativas ambientais), cruzou dados de várias fontes públicas como listas de embargos do Ibama e órgãos estaduais, imagens de satélite de áreas deterioradas de floresta, guias administrativas e até o histórico dos técnicos florestais. Tudo isso formou 20 novas bases de dados.

As informações formaram o “Sistema de Due Diligence e Avaliação de Risco”, lançado no fim de 2015. A plataforma faz mais de 2 bilhões de cruzamentos de dados diariamente e é capaz de realizar até 150 análises individuais para cada lote de madeira.

O principal tipo de fraude apontada pelo estudo nos planos de manejo do Pará e Mato Grosso foi o aumento proposital do registro de número de árvores de determinada área, sem corresponder com a realidade de campo. A madeira é roubada de regiões que não poderiam ser desmatadas, mas o registro parece correto.

Estima-se que a produção de madeira legal e sustentável brasileira poderia aumentar em 10 vezes. A boa notícia é que é possível reverter a dinâmica. Existe uma oportunidade enorme de melhorar o mercado e colocar o Brasil em posição de destaque no cenário mundial. É possível, com os dados disponíveis, identificar de maneira eficiente os focos de problemas.

Adaptação da publicação original de 03 de agosto de 2016 / Daniela Chiaretti / Valor Econômico

Foto: iBVRio / Reprodução

Resíduos de exploração florestal viram móveis na Flona do Tapajós

Foi inaugurada na última quinta-feira (16) uma movelaria na Flona do Tapajós, em Belterra – PA, que utiliza como matéria-prima galhos de árvores que anteriormente eram considerados resíduo. Excelente iniciativa visando maximizar o aproveitamento dos recursos florestais.

Uma fábrica de móveis com um galpão de 250 m² foi inaugurada nessa última quinta-feira (16) na Flona do Tapajós, visando utilizar os galhos das árvores que normalmente são desperdiçados ou subutilizados no processo de manejo ou exploração florestal usualmente empregado na Amazônia. Na maior parte das vezes a madeira dos galhos é simplesmente deixada na floresta ou gera produtos menos “nobres”, como carvão. A unidade é localizada no município de Belterra – PA, região de Santarém, no oeste do estado.

Segundo pesquisas da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) realizadas no local, a cada 10 m³ de madeira em tora, 3,8 m³ de resíduos podem ser aproveitados para a movelaria.

Essa é a primeira unidade moveleira da Cooperativa Mista da Flona do Tapajós (Coomflona), e vai trazer trabalho e benefícios econômicos para os cooperados e para a região, gerando ao menos 15 empregos diretos.

Entre os móveis que serão produzidos estão jogo de mesas, portas, janelas, dormitórios e armários, que terão como destino tando o mercado interno como o externo.

A Coomflona já é conhecida pela produção de objetos e móveis de decoração produzidos artesanalmente, bem como diversos outros produtos, cujo portfólio pode ser acessado aqui.

Essa é uma excelente iniciativa, pois visa maximizar o aproveitamento dos recursos florestais, num setor em que ainda ocorre muito desperdício de madeira.

Fonte: G1 Santarém e Região.